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A Forma Clássica no Trópico: fotografia, arquitetura e identidade em Manaus

  • Writer: Max Cohen
    Max Cohen
  • Jan 25
  • 4 min read
Fotografia fine art em preto e branco do Teatro Amazonas, Manaus, com longa exposição, destaque para colunas clássicas, volumes arquitetônicos, proporção formal e fundo homogêneo.

O Teatro Amazonas é, antes de tudo, uma afirmação arquitetônica. Inserido em um território marcado por natureza intensa, clima extremo e sucessivas camadas de transformação urbana, o edifício sustenta uma linguagem clássica que atravessou mais de um século e se consolidou como referência cultural, simbólica e espacial da cidade. Foi a partir dessa relação entre forma, cidade e identidade que nasceu a fotografia A Forma Clássica no Trópico.


Ao me aproximar do Teatro Amazonas com a câmera, meu interesse não esteve na ideia de espetáculo, evento ou registro turístico. O que me atraiu foi a arquitetura como estrutura: proporção, ritmo, volumes e organização formal. A fotografia parte do princípio de que o edifício não precisa ser explicado, mas observado. A escolha pelo preto e branco reforça essa intenção, retirando informações cromáticas para concentrar o olhar na relação entre luz, matéria e desenho arquitetônico.


A técnica da longa exposição foi utilizada como ferramenta de organização visual. Não como efeito, mas como método. Ela permite simplificar o campo visual, reduzir interferências do entorno e tornar mais legível a forma construída. O céu passa a funcionar como plano neutro, enquanto o teatro se impõe como presença arquitetônica clara, institucional e estável dentro da paisagem urbana de Manaus.



O Teatro Amazonas: por que foi construído e como tomou forma


Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas foi concebido durante o auge do ciclo da borracha, quando a cidade vivia um período de intensa prosperidade econômica. Sua construção não foi apenas um gesto arquitetônico, mas um projeto político e cultural deliberado: afirmar Manaus como uma capital moderna, conectada aos grandes centros europeus e capaz de abrigar a chamada “alta cultura” do final do século XIX.


O teatro foi idealizado como símbolo de progresso, civilidade e inserção internacional. Sua edificação ocorreu ao longo de anos, com interrupções e reformulações, até se consolidar como a mais ambiciosa obra pública do período. Mais do que atender a uma demanda cultural local, o edifício representava uma afirmação de poder econômico e visão urbana em plena Amazônia.


A origem dos materiais: um edifício global no coração da floresta


Um dos aspectos mais notáveis do Teatro Amazonas é a procedência de seus materiais, vindos de diferentes partes do mundo — um reflexo direto da riqueza e das conexões comerciais da época.


  • O mármore utilizado em pisos, escadarias e colunas foi importado da Itália.

  • As estruturas metálicas e partes da cobertura vieram da Inglaterra.

  • As telhas esmaltadas da cúpula, que formam o famoso desenho colorido, foram fabricadas na Alsácia, então território sob influência europeia.

  • Lustres, mobiliário e elementos decorativos vieram de França e Bélgica.

  • O pano de boca e pinturas internas foram executados por artistas europeus, entre eles o italiano Domenico de Angelis.


Essa combinação transforma o Teatro Amazonas em um edifício literalmente internacional, construído com materiais, técnicas e referências estrangeiras, mas implantado em um contexto urbano e climático absolutamente singular.



As primeiras apresentações e o papel cultural inicial


A inauguração do teatro foi marcada por uma programação lírica alinhada ao repertório europeu da época. A ópera “La Gioconda”, de Amilcare Ponchielli, esteve entre as obras apresentadas nos primeiros ciclos de espetáculos, executadas por companhias italianas que viajavam pelo mundo levando ópera a grandes casas de espetáculo.


Diferente de algumas narrativas populares, o teatro não foi frequentado apenas por elites locais: ele fazia parte de um circuito internacional de ópera, música e artes cênicas. Seu público inicial era composto por empresários da borracha, autoridades, artistas estrangeiros e uma cidade que, naquele momento, se percebia como cosmopolita.



Do declínio à reinvenção


Com o fim do ciclo da borracha, o teatro enfrentou longos períodos de subutilização e decadência, refletindo a própria retração econômica da cidade. Ao longo do século XX, passou por reformas e restaurações que buscaram preservar sua integridade arquitetônica e simbólica.


Esse processo de recuperação consolidou o Teatro Amazonas não apenas como memória do passado, mas como equipamento cultural ativo, capaz de dialogar com novas linguagens e públicos.



O Teatro Amazonas nos anos 2020 em diante


A partir da década de 2020, o Teatro Amazonas reafirmou sua função como centro cultural multifuncional. Além de óperas e concertos eruditos, o espaço passou a receber:


  • Concertos sinfônicos e de música contemporânea

  • Espetáculos de dança, teatro e performances híbridas

  • Eventos institucionais e culturais de grande porte

  • Programações educativas e projetos de formação artística

  • Festivais nacionais e internacionais, como o Festival Amazonas de Ópera


O teatro tornou-se, assim, um espaço de convergência entre tradição e contemporaneidade, mantendo sua arquitetura clássica enquanto abriga produções artísticas diversas, alinhadas ao presente.



Fotografar a arquitetura como linguagem


É nesse ponto que a fotografia se aproxima da história. Ao registrar o Teatro Amazonas, busco compreender como uma linguagem arquitetônica clássica se mantém ativa em um território tropical e contemporâneo. A imagem não pretende reconstruir o passado, mas observar como a forma persiste, se afirma e continua a organizar o espaço urbano.


O preto e branco reforça essa leitura ao destacar volumes, planos e relações estruturais. A ausência de cor elimina distrações narrativas e aproxima a fotografia de uma tradição da fotografia de arquitetura que valoriza clareza formal e rigor visual. O edifício se apresenta como desenho, como estrutura e como presença.



A obra como objeto físico e colecionável


A fotografia A Forma Clássica no Trópico é produzida como obra fine art, impressa em papel de qualidade museológica, com pigmentos minerais de alta estabilidade e durabilidade superior a 200 anos. Cada exemplar integra uma tiragem limitada e numerada, assinada por mim, reforçando o caráter autoral, colecionável e institucional da obra.

Mais do que uma imagem, trata-se de um objeto pensado para circular em coleções privadas, projetos de arquitetura, ambientes institucionais e exposições. Uma fotografia que dialoga com a tradição da arquitetura clássica e com uma leitura contemporânea da cidade amazônica.


Fotografar o Teatro Amazonas é, para mim, uma forma de observar Manaus a partir de sua construção mais emblemática. Não como cenário, mas como forma. Não como nostalgia, mas como presença.


Conheça as fotografias do Teatro Amazonas da coleção "Manaus em Longa Exposição".

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